sábado, julho 21, 2007

Não por acaso



2 segundos fazem a diferença. Uma segundo a mais ou um segundo a menos podem originar resultados diferentes. Cada decisão nossa nos leva a um destino diferente. O futuro se apresenta com várias possíveis trilhas a serem seguidas diante de nós. Ao escolhermos uma delas, seguimos na vida mas, ao olharmos para trás, há apenas um único caminho. Todas as outras trilhas sumiram porque não existem mais.

"Não por acaso" de Philippe Barcinski trata das tentativas de cada um em controlar seu próprio destino e das surpresas que sempre pontuarão o caminho. A cidade de São Paulo, com seus caminhos e sua imagem-metrópole, é o cenário perfeito para os destinos de Ênio e Pedro (Leonardo Medeiros e Rodrigo Santoro).

Ambos partilham de uma sensação de controle: Ênio é engenheiro de tráfego. Controla o fluxo de carros na cidade. E busca transferir este controle para a própria vida, regrada e solitária. Pedro é um marceneiro especializado em mesas de sinuca, ofício que herdou do pai. Desenha em sua mente (e em seu caderninho) jogadas meticulosamente planejadas e não percebe que o mesmo planejamento meticuloso (e avesso a mudanças) também permeia sua vida.

É a partir de um acidente de carro que muita coisa muda. A estrutura das vidas de cada uma destas personagens será alterada. Mudar é inevitável. Isso me lembra a trindade hindu: Brahma, Vishnu e Shiva. O criador, o preservador, o destruidor. Muitas vezes, a destruição é necessária porque somente com o fim do velho é que podemos edificar o novo.

"Não por acaso" tem interpretações corretas e ângulos e tomadas de câmera sensacionais. Um bom exercício da linguagem cinematográfica. Vale a pena conferir.

2 comentários:

Mariana Alcântara disse...

Quero assistir!!!
É verdade, às vezes temos que destruir tudo para permitir que o novo se firme ali e nunca se sabe qual a parte mais difícil, se é a destruição, a construção do novo universo ou simplesmente aceitar a mudança.

Jak disse...

Oba! Com certeza vou ver! ^^
Beijos!