segunda-feira, outubro 02, 2006

O que você faria se o diabo vestisse Prada?


Muita chuva... céu cinzento e final de semana marcado por eventos interessantes. Como o tempo estava chuvoso, o programa mais óbvio era ficar em casa (coisa que eu simplesmente me recusava a admitir) ou ir para algum lugar abrigado. Fui parar na sala de cinema. E conferi dois filmes (não no mesmo dia, que fique claro... risos): "O diabo veste Prada" e "O que você faria?" (título exdrúxulo que deram para "El método").

Em comum, os dois filmes tratam a respeito de vida profissional. Até onde conseguimos separar a vida profissional da vida pessoal? Aliás, é possível separá-las ou isso é tarefa sem solução?

Em "O diabo veste Prada" vi uma assistente de uma editora-chefe de uma revista conceituada na área de moda. Aquilo que seria apenas algo temporário e para "abrir as portas" para uma carreira em jornalismo, transforma-se numa "prisão", exigindo o tempo da vida social e da vida íntima. Até onde abrimos mão da nossa felicidade pessoal para construir uma carreira?

Por mais que a personagem Andrea diga "Eu não tive escolha..." é óbvio que ela escolheu. Ela escolheu seguir adiante. e aqui, lembro um pouco dos preceitos do taoísmo: "A não-ação também é uma forma de agir".

Quem vota nulo, exercita uma ação para beneficiar quem está ganhando. Quem vê e não faz algo torna-se cúmplice. E se alguém diz que abriu mão de um relacionamento por conta da carreira mesmo "não tendo escolha", o fez de forma consciente. Sabia das opções e seguiu adiante.

O filme "O que você faria?" é um filme espanhol e um pouco mais "cruel" na abordagem da vida privada mesclada na vida corporativa. Até onde o que você pensa e os seus princípios morais são avaliados para se trabalhar numa empresa?

Em "O que você faria?", partimos de um processo de seleção para um cargo de direção numa empresa. Logo abaixo, uma multidão protesta contra uma a globalização e as atividades do FMI e do Banco Mundial. Incrível como a luta lá fora se reflete psicologicamente na luta pela vaga dentro do prédio.

Quem ganhará a vaga? O herói? O diplomata? O egocêntrico? A mulher madura? A jovem executiva ambiciosa?

No filme, os limites são testados. E fica no ar a pergunta? Até onde a promessa de felicidade pessoal é jogada de escanteio para progredirmos na carreira? No lugar das personagens do filme, o que você faria?

Um comentário:

Anônimo disse...

Luiz, cê podia ser crítico de cinema e de livros. Fazer umas resenhas e publicar na Veja, por exemplo, que é a revista que eu assino...rs
Nossa, ia ser muito chique. Cê é muito melhor que os que estão por lá...
beijocas